Ciclotrama 27 (bleu), 2015

500cm x 250cm x 320cm

30 m of blue nylon rope 32mm diameter and 2.484 nails.

Galerie Virginie Louvet, Paris, France.

Site-Specific Installation for solo show “Ciclotramas”

Photo: Emilie Mathé Nicolas

Ciclotramas.

Texto: Diane Der Markaian

Ciclotramas.

Text: Diane Der Markaian

“Pegue uma corda e comece a desenrola-la. Desdobrando e desfazendo suas partes, muitas vezes, subdividindo os grupos fios em unidades cada vez menores e assim por diante. Continue a libertar esses impressionantes milhares de fios da sua trama original. Remova-os do seu peso e massa. E ao fim, o que temos? Um fio: uma indivisible unidade.

É através dessa desconstrução que a artista brasileira Janaina Mello Landini procura uma forma conectar os fios de nylon, dipado ou algodão das cordas que ela desfaz para enfim refaze-las. Desde 2010, esta lógica tem sido o coração da sua serie entijucada Ciclotrama. Uma palavra que ela inventou e que pode ser definida como: uma trama construída a partir de uma sucessão de ciclos contínuos que poderiam tender a infinito. A evolução do seu trabalho atesta a complexidade da técnica em perpétua renovação, colocando de lado a aparente facilidade do processo.

As cordas que ela usam não só tramam em espaços arquitetônicos como também em telas de linho. Para essa arquiteta, entender o espaço é matéria condicional e guia a realização do seu trabalho em etapas. Os desenhos preliminares definem a lógica da estruturação e da forma da corda mas não definem o exato lugar de cada fio, deixando espaço para improvisos e surpresas

durante a construção da Ciclotrama.

Seja no espaço tridimensional da arquitetura ou no plano da tela, o trabalho de Janaina Mello Landini expressa a mesma tensão: a fusão do espaço e do tempo. Explicita referencia aos seus estudos em matemática e física. Tanto o suporte da tela ou o espaço é o receptáculo de uma sobreposição de camadas de fios trançados, ou como ela gosta de dizer, ciclotramados, criando um aspecto de espelho so seu próprio sistema, como um fractal. Esta entrelaçamento de torções constroem um percurso que tem como resultado um arranjo de unidades de força.

A leitura desta trajetória recompõe a estrutura hierárquica desse perfeito equilíbrio considerando a interação de cada um dos fios. A artista não procura obter nenhuma forma especifica deste agrupamento de fios.

O desenho final é livre à nossa própria percepção, interpretação e busca de significado. Formas naturais, árvores, órgãos humanos ... a visão da organização desses fios é transcendida por uma única e mesma dinâmica: a interconexão do movimento dos fluidos. E é precisamente estes fluidos orgânicos e naturais que refletem a base do trabalho de trabalho de Janaina Mello Landini. Neste combate corpo-a-corpo com o fio, ela modela seu movimento para clarificar que a transmissão de fluxos é similar a qualquer sistema. Como um palíndromo, seu trabalho oscila entre 2 ideias, uma entrópica relacionada a de desintegração do sistema, e uma entrópica, convergindo diferentes fatores ao equilíbrio, isso reflete a organização universal do mundo.

Do centro para a periferia, do mínimo ao máximo, esta é a interdependência entre o indivíduo e o coletivo que Janaina Mello Landini articula em seu trabalho."

“Take a rope and start weaving it. De-dividing and unbundling its components, over and over again, until you succeed in subdividing its unit into units. Continue by freeing these thousands of imprisoned yarns from their twists. Remove it from its weight and mass. In the end, what do

you have left? A thread: an indivisible unit.

It is through this deconstruction that Brazilian artist Janaina Mello Landini is looking for a way

to connect the threads of the nylon, dipado or cotton strings she unweaves to finally weaves it

again. Since 2010, this logic has been at the heart of his Ciclotrama series. A word she invented

and which could be defined as follows: a succession of cycles (ciclo), wefts (trama) of threads unfolding in a continuous circle. The evolution of his work attests to the complexity of a technique in perpetual renewal, putting aside the apparent ease of this process.

The strings she uses do not just weave in space but on a canvas. For this architect by training, an

understanding of space is a material condition that guides the realization of her work in stages.

A preliminary design defines the logic of the structure and shape of the rope but does not define the exact location of each thread, leaving room for improvisations and surprises during the construction of the Ciclotrama.

Whether it is a three-dimensional architectural space or a canvas surface, Janaina Mello Landini’s work expresses the same tension: the fusion of space and time.

Explicit reference to her studies in mathematics and physics. The support of the canvas is, therefore, the receptacle of an overlay of thread levels whose general aspect creates a mirror effect of its own system. This intertwining of torsions creates a path which is the result of a structure of complementary force units.

The reading of this trace recomposes the hierarchical framework of this perfect balance that allows the interaction between each thread. From this aggregate of threads no form is really

sought by the artist. The final performance gives free rein to our own interpretation.

Our perception is thus free from any search for meaning. Natural forms, trees, human organs... the vision of the organization of these threads is transcended by a single and same dynamic: the interconnection of the movement of fluids. And it is precisely these organic and natural fluids that

form the reflexive foundation of Janaina Mello Landini’s work. In this hand-to-hand combat

with the thread, she models her movement to realize that the transmission of flows is similar to

any system. Like a palindrome, her work oscillates between two entities, one entropic - deterioration of a system - and the other syntropic- converging action of different factors to the equilibrium; it reflects the universal organization of the world, which according to the artist results from their relationship.

From the center to the periphery, from the minimum to the maximum, it is finally the interdependence between the individual and the collective that Janaina Mello Landini brings together in her works.”

© 2020 / MelloLandini