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A obra de Janaina Mello Landini divide-se em diversas séries, cada uma explorando uma faceta distinta de redes, tempo e materialidade. Das icônicas tramas desfiadas de Ciclotrama a intervenções site-specific, cada série constrói seu próprio vocabulário visual, mantendo-se conectada a uma investigação mais profunda sobre as arquiteturas que moldam o nosso mundo.

Ciclotrama

e desdobramentos

Janaina Mello Landini

Criada no interior de Minas Gerais, em uma cidade pequena onde o tempo era ritmado por encontros domésticos e práticas manuais, Janaina cresce entre linhas, tecidos e bordados. Antes de se tornar linguagem, o fio era hábito, ambiente, cotidiano. Esse gesto inaugural permanece como uma memória incorporada — e será, mais tarde, reconfigurado pela
arquitetura, pelo cálculo e pela filosofia.
 
A formação e o exercício da arquitetura consolidam a dimensão estrutural de seu pensamento. O cálculo, por sua vez, abre a experiência do infinito — não como abstração distante, mas como operação concreta: dividir, recompor, projetar além do visível.

O encontro 
com Deleuze e outros pensadores desloca o olhar para campos contínuos, sem centro, onde a multiplicidade precede qualquer unidade.
 
É nesse cruzamento entre gesto manual, pensamento matemático e intuição filosófica que emerge a base conceitual de sua obra: uma investigação sobre a relação entre o um e o todo, entre o singular e aquilo que só existe enquanto rede.

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O fio como unidade

O fio passa a ser entendido como um elemento singular que, ao mesmo tempo, pertence a um sistema maior. A partir dele, torna-se possível construir complexidade — não por acúmulo arbitrário, mas por desdobramento

Ciclotrama:
uma linguagem do infinito

 

É a partir dessa necessidade de fluxo que surge o conceito de Ciclotrama — termo criado pela artista para designar uma trama cíclica que tende ao infinito.

Inspirada em Benoît Mandelbrot, o princípio é simples: aplicar um algoritmo de repetição sobre os fios. Inicialmente, a bifurcação binária — dividir em dois, e novamente em dois — organiza a expansão da forma que expande a medida que avança. Esse processo remete a padrões recorrentes na dinâmica dos fluidos da natureza: ramificações de árvores, sistemas vasculares, cursos de rios.

Recentemente, a artista passou a incorporar o algoritmo de subtração (-1) a estrutura perde 1 fio de cada vez e introduz uma lógica distinta. Em vez de expandir, os braços afunilam a media que avançam.

Aqui, no entanto, o algoritmo não é apenas um modelo abstrato: ele é tensionado pela matéria. Cada desvio, a tensão, torção, tração, peso, tempo e transformação deixam de ser fatores externos e passam a integrar o sistema e interfere no resultado, fazendo com que a repetição nunca seja idêntica a si mesma. A estrutura tende ao infinito, mas se realiza sempre no campo das variações.

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