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Ciclotrama (expansão)

EXPOSIÇÃO

Aqui, Agora.

CURADOR

Taisa Palhares

SÉRIE

Expansão

ANO

2019

LOCAL

Zipper Galeria,
São Paulo, Brazil

MATERIAIS

4 Ciclotramas da série “expansão” com tamanhos variados

DIMENSÃO

2.7 x 6 x 4 m

CREDITOS

Foto: Gui Gomes

SOBRE ESTA OBRA

Texto de Taisa Palhares

Nas quatro telas que fazem parte da Exposição "Aqui, agora" (intituladas Ciclotrama 137, Ciclotrama 138, Ciclotrama 139, Ciclotrama 140) e estão expostas numa sala menor, a artista retoma o uso de cordas industriais, que destramadas são fixadas segundo o mesmo sistema de divisão, bifurcação e cruzamento das linhas. No entanto, aqui Janaina Mello Landini optou por utilizar como plano para superfície um tecido especial utilizado na fabricação de velas para embarcações náuticas. Nele, são bordadas coordenadas geográficas inspiradas em mapas antigos e atuais, antes que a artista instale as tramas em fio colorido. Novamente, o espaço real e o virtual se imbricam, criando um novo desenho, pois ao mesmo tempo que o bordado remete ao existente, a trama nos fala de um espaço imaginário que também pode ser real. A sala das Ciclotramas está disposta de modo que as cordas em tons de azul e preto encontrem-se aglomeradas no centro, conectando todos os trabalhos. Esse amontoado sugere a existência de um núcleo de energia comum, ainda caótico, que tende à propagação, e que será organizado nas tramas sobrepostas de linhas na superfície das telas. Poeticamente, mostra-se a relação indissociável entre a parte e o todo, e a convivência de interdependência e autonomia mediante uma sutil correspondência de forças. É interessante notar que também essas telas sugerem uma abertura à reorganização. Do ponto de vista teórico, a geografia trabalha com limites relativamente estáveis, ou que demoram muito tempo para serem redesenhados. Mas no mundo contemporâneo as relações e fluxos respondem a uma dinâmica especial, acelerada pela tecnologia. Podemos imaginar novos mapas geográficos criados cotidianamente pelo reinstauração de conexões diversas, para além das limitações do espaço físico. É evidente que essa liberdade de movimento nem sempre é bem acolhida por todos. Contudo, a vontade de expansão, como a artista parece lembrar, faz parte da história da humanidade, sobretudo desde a Era Moderna. O desejo de mobilidade redesenhou o mapa geográfico e nos deu uma nova apreensão da terra com as Grandes Navegações, um fator decisivo para a formação de nossa visão de mundo. Hoje presenciamos um outro tipo de expansão, talvez menos real, e mais virtual. Mas que tem o mesmo poder de redesenhar nosso imaginário. De qualquer maneira, a forma plástica dos organismos vivos, que parece inspirar a artista, está presente tanto na natureza quanto na sociedade. Entender os contínuos rearranjos de nosso meio social e natural é um desafio mais do que atual. E também ter em mente a fragilidade de seu sistema de compensações recíprocas, que pode ser colocado em xeque por meio de qualquer movimento mais brusco, gerando um desequilíbrio irremediável.
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