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Ciclotrama 347 (amulet)
EXPOSIÇÃO
Amulet
CURADOR
Andreas Hoffmann
SÉRIE
ANO
2024
LOCAL
Ilulissat Kunstmuseum,
Ilulissat, Groenlândia
MATERIAIS
Cordas e redes de pesca
DIMENSÃO
0.65 x 6 x 6 m
CREDITOS
Foto: Atelier Mello Landini
SOBRE ESTA OBRA
Texto de Janaina Mello Landini
Na cosmologia Inuit da Groenlândia, o tupilak era uma entidade invisível e temida, criada em segredo por xamãs (angakkuit). Amarrando ossos, peles e tendões, eles davam corpo a uma força mágica direcional. Mas a lenda conta um detalhe fascinante: um tupilak só falhava se a pessoa que ele tentasse atingir possuísse uma proteção mágica ainda mais forte. Nesses casos, a energia do ataque não conseguia penetrar e acabava se voltando contra o próprio criador.
Foi pensando nessa dinâmica de forças, ataques e escudos que desenvolvi esta nova Ciclotrama, realizada durante minha residência artística em Ilulissat, na Groenlândia.
Se o tupilaq ancestral era ativado pelo propósito de quem o amarrava, o meu foi construído a partir de restos de redes de pesca, gentilmente doadas por lojas de material marítimo locais. Amarrei, desembaracei e tensionei cada um desses fios com uma intenção urgente: criar essa "proteção mais forte" contra um monstro contemporâneo. O objetivo é afastar os microplásticos que hoje, de forma invisível, intoxicam as águas e a todos nós — um feitiço moderno que está se voltando contra os próprios criadores.
Nesta obra, a rede de pesca deixa de ser um instrumento de captura ou poluição para se tornar um amuleto. É o fio atuando no seu limite — estruturando o visível na tentativa de conter, repelir e nos proteger da ameaça do invisível.

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