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Bosque Neural
SITE-SPECIFIC
Exposição individual,
"Bosque Neural"
CURADOR
Ana Carolina Ralston
ANO
2024
LOCAL
Zipper Galeria, São Paulo, Brasil
SÉRIE
Bosque Neural
DIMENSÃO
Variável
MATERIAIS
Mixed Midia
CREDITOS
Foto: Gui Gomes
SOBRE ESTA OBRA
Texto de Ana Carolina Ralston
Quem imaginaria que as florestas que ela pintou na juventude se transformariam mais tarde nos desenhos que ilustram as florestas neurais do cérebro? Javier Defelipe (Cajal: A Arte da Ciência)
A arte tem sido, por décadas, a ferramenta mais eficaz para ilustrar as imagens microscópicas capturadas por cientistas em todo o mundo. Através de pincéis e tintas, pensadores e exploradores do cérebro humano, como o neurocientista Santiago Ramón y Cajal (1852-1934), retrataram as ocorrências mais extraordinárias da mente em desenhos sobre papel. Sinapses e impulsos neurais que ocorrem entre unidades celulares de maneira rizomática foram meticulosamente investigados, levando esses cientistas a uma cena sublime: a floresta neural que habita um dos órgãos mais complexos e misteriosos do corpo humano.
Tal espetáculo nos transporta diretamente para a visão ambiental defendida pelo filósofo e crítico Timothy Morton, de uma vasta e extensa teia de interconexões sem centro ou fronteiras; Radical e coexistente, definindo o pensamento ecológico contemporâneo e a relação entre a vida que acontece tanto interna quanto externamente.
Assim, ao observarmos o conjunto de unidades mínimas da nossa mente, descobrimos que elas imitam o bosque natural que nos rodeia e da qual somos parte integrante e simbiótica. É nesse pensamento fabuloso que se baseia a pesquisa atual de Janaina Mello Landini, bem como sua exposição individual Bosque Neural, em exibição na Galeria Zipper.
A artista visual explora há décadas os caminhos que envolvem a complexidade do individual e singular em relação ao todo, criando linguagens que incorporam o ritmo e a espacialidade dessas escolhas, visualmente experimentadas em sua renomada série “Ciclotramas”. Em constante evolução, o pensamento artístico de Janaina Mello Landini agora se cruza de forma mais sólida com duas áreas que seu trabalho já abordou: a neurociência e o meio ambiente.
Cada tela que compõe a paisagem mental criada pela artista para este espaço expositivo funciona como uma lâmina de laboratório. Navegando entre planos terrenos e metafóricos, a obra recria a bidimensionalidade de uma secção do córtex cerebral, oferecendo-nos um vislumbre da vasta floresta neural que se desenvolve dentro de nós. Fios de espessuras, texturas e brilhos variados aparecem entrelaçados, criando núcleos e extensões mais orgânicos. Suas extremidades, com menos ramificações do que nos trabalhos anteriores da artista, permitem-nos imaginar para onde esses fios poderiam levar — continuando seus caminhos invisíveis por trás das telas. Cada peça exibe um ângulo diferente de nossa floresta neurológica, como se tivesse sido segmentada em vários pontos e rotas, tentando capturar uma visão panorâmica, porém fragmentada, do nosso pensamento. Em meio a copas e raízes, percebemos a complexidade e as múltiplas possibilidades dessa teia, que se interconecta infinitamente.
Elementos tridimensionais emergem dessa narrativa, como se uma árvore ou um neurônio pudessem se desprender dessa ampla teia. Cajal referiu-se a elas poeticamente como células do pensamento ou, mais especificamente, como "mariposas da alma", devido às suas formas piramidais que lembram o corpo e o sussurro das asas do inseto que paira no espaço. "Talvez o seu bater de asas um dia ilumine o segredo da vida mental", disse o vencedor do Prêmio Nobel.
Desenvolvidas através da torção de fios metálicos, essas esculturas imitam as estruturas exibidas nas telas, subvertendo seus modos de produção e pensamento. Sem a tensão, força característica das obras de Janaina Mello Landini, seus ramos flutuam através da materialidade do próprio fio, evocando um ser vegetal destacado no espaço.
Como reflete o neurobiólogo Stefano Mancuso em seu instigante livro *Revolução das Plantas*, o mundo vegetal desafia nossas suposições sobre quem são os seres mais inteligentes. Se, como ele afirma, as áreas de copas e raízes interagem entre si, formando uma estrutura cujas funções se assemelham às do cérebro, uma visita a este ambiente biomórfico criado por Landini nos leva para dentro, ao mesmo tempo que nos envolve em um diálogo potente com o universo ambiental circundante.

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