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A série Labirintos teve início em 2009 e permanece complementar à pesquisa das Ciclotramas. As linhas desses labirintos não têm um só ponto de vista, mas são perspectivas dentro de perspectivas. Uma tentativa de “ver tudo” ou “de unir tudo. O espaço seria uma armadilha, como pode ser o labirinto. 
Materialmente, o processo se concretiza com fitas de cetim de diferentes larguras e cores, tensionadas nas bordas do chassi. Ao final, um extrato escurecedor à base de nogueira reduz o brilho e aproxima os tons, revelando as relações espaciais — como se o desenho precisasse de sombra para se mostrar por completo.

Labirintos

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A pesquisa que Janaina Mello Landini desenvolve traz em paralelo duas series que a priori, testam caminhos distintos entre ordem e indeterminação.
 
As Ciclotramas partem de um princípio claro de construção e chegam a resultados orgânicos e imprevisíveis; os Labirintos partem de uma configuração livre, quase intuitiva, mas se resolvem através de um rigor técnico e espacial precisos.

Ainda assim, ambas partem de uma mesma questão: como organizar o espaço sem reduzir sua complexidade, e como manter a abertura do pensamento sem perder a legibilidade
da forma.

Para os Labirintos, o procedimento da artista pode ser entendido como um exercício de deslocamento do olhar. Em vez de partir dos objetos — paredes, edifícios, mobiliário
— ela se concentra nos intervalos entre eles. Caminhos, passagens, vazios.
 
Ao imaginar percursos possíveis dentro de um espaço conhecido — uma casa, um quarteirão — o desenho começa a surgir como uma rede de trajetórias. O que se revela, então, é o espaço não edificado — o interstício — como
campo ativo de circulação.
 
A artista tensiona o uso da geometria ao criar uma espécie de perspectiva quase clássica, que parece convergir a uma centralidade.
No entanto, esse centro é instável, 
porque o ponto de vista é múltiplo. O resultado não é
uma representação fiel de um espaço existente, mas uma construção que combina diferentes pontos de vista, uns dentro dos outros, criando uma imagem ampla e profunda.
O olhar se desloca continuamente, como se percorresse o desenho por dentro.

Materialmente, esse processo se concretiza com fitas de cetim de diferentes larguras e cores, precisamente tensionadas nas bordas do chassi. O desenho é construído através do cruzamento das fitas, que passam ora por cima, ora por baixo do plano. A aplicação final de um extrato escurecedor à base de nogueira reduz o brilho das fitas e aproxima os valores tonais, permitindo que as relações espaciais se tornem mais visíveis, como se o desenho precisasse de uma certa sombra para se revelar por completo.

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