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A obra de Janaina Mello Landini divide-se em diversas séries, cada uma explorando uma faceta distinta de redes, tempo e materialidade. Das icônicas tramas desfiadas de Ciclotrama a intervenções site-specific, cada série constrói seu próprio vocabulário visual, mantendo-se conectada a uma investigação mais profunda sobre as arquiteturas que moldam o nosso mundo.

Ciclotrama

e desdobramentos

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O fio como unidade

O fio passa a ser entendido como um elemento singular que, ao mesmo tempo, pertence a um sistema maior. A partir dele, torna-se possível construir complexidade — não por acúmulo arbitrário, mas por desdobramento

Ciclotrama:
uma linguagem do infinito

 

É a partir dessa necessidade de fluxo que surge o conceito de Ciclotrama — termo criado pela artista para designar uma trama cíclica que tende ao infinito.

Inspirada em Benoît Mandelbrot, o princípio é simples: aplicar um algoritmo de repetição sobre os fios. Inicialmente, a bifurcação binária — dividir em dois, e novamente em dois — organiza a expansão da forma que expande a medida que avança. Esse processo remete a padrões recorrentes na dinâmica dos fluidos da natureza: ramificações de árvores, sistemas vasculares, cursos de rios.

Recentemente, a artista passou a incorporar o algoritmo de subtração (-1) a estrutura perde 1 fio de cada vez e introduz uma lógica distinta. Em vez de expandir, os braços afunilam a media que avançam.

Aqui, no entanto, o algoritmo não é apenas um modelo abstrato: ele é tensionado pela matéria. Cada desvio, a tensão, torção, tração, peso, tempo e transformação deixam de ser fatores externos e passam a integrar o sistema e interfere no resultado, fazendo com que a repetição nunca seja idêntica a si mesma. A estrutura tende ao infinito, mas se realiza sempre no campo das variações.

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